Goleira com dupla nacionalidade, brasileira e suíça, destacou os motivos da escolha por defender as cores do Brasil e como almeja conquistar uma vaga no grupo que disputará a Olimpíada

Filha de mãe brasileira e nascida na Suíça, a goleira Natascha Honegger, 23, começou a jogar bola com apenas cinco anos de idade, por incentivo do pai. Hoje, ela faz parte do elenco francês do Paris FC e está na lista de jogadoras em treinamento com a Seleção Brasileira em Portimão, Portugal. 

Não é apenas o idioma diferente que gera estranheza em Natascha. Em entrevista coletiva, a goleira mostrou que a cada dia está mais habituada com o idioma brasileiro e como seu futebol pode ajudá-la a conquistar uma vaga na equipe que disputará os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (adiados para 2021).

“É o sonho de todas as jogadoras disputar uma Olimpíada e eu estou trabalhando para isso, fortalecendo os meus pontos fortes e consertando os meus defeitos e a esperança é grande para estar lá. Mas eu sei que tem muito trabalho para fazer e eu tenho que aproveitar essa oportunidade para aprender mais com as outras goleiras como a Aline que tem uma grande experiência”, comentou.

Apesar da realidade do futebol feminino no Brasil, Natascha enxerga a rotina de treinamentos sob o comando de Pia Sundhage indo de encontro com essa realidade. Em suas propostas táticas, a comandante já deixou evidente e importância que dá para a construção de um sistema defensivo forte. Para isso, fornece liberdade e confiança para Juarez Veludo, preparadores de goleiros da Seleção.

“Eu considero a intensidade dos treinos aqui na Seleção maiores que no meu clube, a gente está treinando mais e = são mais duros. A Pia entende muito essa noção de que a goleira joga com os pés e que ela participe do jogo, acho que isso é uma vantagem que eu posso trazer aqui para a Seleção porque já atuo assim no meu clube, aprendi e cresci com esses ensinamentos”, conta.

Dupla nacionalidade

Natascha já chegou a defender a Seleção Suíça Sub-19 por incentivo da mãe. Mas a jovem confessa que o lado Verde e Amarelo do seu coração sempre pulsou mais forte e que, ainda pequena, sonhava com a oportunidade de defender a Seleção Brasileira.

“Desde pequena, eu sempre quis defender a Seleção Brasileira. Quando eu recebi a primeira oportunidade de convocação na Seleção Suíça, eu lembro que falei para a minha mãe que queria que tivesse sido o Brasil. Mas ela me falou que eu precisava pegar essas oportunidades porque eu cresci na Suíça e deveria ser grata. Mas quando o Brasil me ligou eu disse que iria participar dessa experiência e vivendo os momentos com as companheiras da equipe aqui e todas as situações, vi que a decisão foi muito simples para mim. Foi uma decisão do coração”, finalizou.

A concentração da Seleção Feminina será realizada no Hotel Penina, em Portimão, e se estenderá até o dia 27 de outubro, período de Data FIFA. Por conta do protocolo estabelecido pela Comissão Médica Especial da CBF, não haverá cobertura presencial da imprensa nos treinamentos – A CBF TV disponibilizará diariamente imagens das atividades da equipe e entrevistas com as jogadoras.